Reza a história que Para já para já, obra sem paradeiro ao longo das últimas quatro décadas, se evaporou com total autonomia escassos minutos após desovar para os lados do «Monte Carlo». Em rigor e com rigor, pelo que consta, o próprio autor colaborou na trapaça. Apagou-lhe exemplarmente o rasto. Bico calado foi o suficiente?
Confiante do seu golpe, longe estava de imaginar que nestes tempos peculiares em que vivemos, Para já para já pudesse ser exumado, por assim dizer, do caixão. Não previu, entre possíveis imponderáveis, que as leis elementares do Livreiro, em ocasionais momentos felizes, convivem com os procedimentos do Arqueólogo – resgatar entre centenas de caixões abandonados num armazém da Sá da Costa um livro que, em vez de vir do passado se dirige para o presente, é obra!
Digamos que, ao anunciar que não quer ser literatura, Para já para já demonstra um compreensível desprezo pela morte. Pela morte do texto ficcional e do próprio autor enquanto autor. Prosa que assume, despreocupadamente e sem licenças, pedir de empréstimo o corpo de Vitor Silva Tavares por umas breves páginas.


Inês Botelho, 2012, tinta-da-china e água sobre papel
[contracapa Para já para já]



Para já para já – Vitor Silva Tavares
25, 26 Setembro 2012
DESENHO Inês Botelho, 2012, tinta-da-china e água sobre papel, dimensões originais 143x101cm
DESIGN Flatland design

Para já para já foi originalmente publicado pelo «Jornal do Fundão»,
composto e impresso nas suas oficinas em Novembro-Dezembro
de mil novecentos e setenta e dois.

500 exemplares
Offset e impressão tipográfica
32 pp.

P.V.P: 10€

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