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«Era tarde, quando começámos a beber. Todos achávamos que era mais do que tempo de começar. Não nos lembrávamos do que tinha acontecido antes. Pensávamos apenas que já era tarde. Saber de onde vinha cada um de nós, em que ponto do globo estávamos, ou sequer se se trataria mesmo de um globo (o que, aliás, nem era assunto), em que dia do mês de que ano, eram tudo coisas que nos ultrapassavam. Não são perguntas que se façam quando se tem sede.»
René Daumal (1938), A Grande Bebedeira

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«A Grande Bebedeira, único romance de René Daumal publicado em vida do autor, começou a ser escrito em Nova Iorque, (…) em 1932-33.
(…) A par da reflexão subjectiva e do desejo de transformação interior, está presente ao longo de todo o relato uma visão da sociedade da época, a sua crítica, e o desejo de a ver transformar-se. Deste ponto de vista, é particularmente interessante o panorama que nos é dado do mundo cultural, científico, religioso e político.
(…) Trata-se de um romance muito centrado na realidade, mas onde esta é descrita de forma surrealista, num tom humorístico e paródico, com grande imaginação e um domínio total da língua e da linguagem, como é característico no estilo de Daumal.»
Lurdes Júdice (2016) in “Apresentação”, A Grande Bebedeira

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René Daumal (Boulzicourt, 1908 – Paris, 1944) foi escritor, poeta, ensaísta e tradutor.

Aos 6 anos é assaltado pela ideia de morte e pela angústia do absolutamente nada. Estas preocupações não lhe oferecem tréguas, e no início da adolescência, vê-se diante de outro dos seus maiores terrores: o desconhecido. Durante esta época leva a cabo um variado número de experiências numa tentativa de compreender a morte, os estados do sono e os diferentes níveis de consciência. Com estas experiências intui um outro mundo onde o pensamento supera os limites da linguagem discursiva.

Em 1927 funda com Roger Gilbert-Lecomte, Roger Vaillant e Robert Meyrat, o movimento de investigação literária e filosófica Le Grand Jeu. Deste movimento surge uma revista com o mesmo nome, e na qual Daumal edita os primeiros poemas e ensaios. Logo no primeiro número o grupo manifesta a intenção de colocar todas as coisas em questão e de acreditar em todos os milagres.

Em 1932, durante a sua viagem aos Estados Unidos da América, começa a escrever A Grande Bebedeira, que reflecte a crise no seio de Le Grand Jeu e constrói uma crítica ácida da sociedade..
Termina A Grande Bebedeira em 1937. Editado em 1938 pela Gallimard, é o seu único romance publicado em vida.

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300 exemplares
texto: René Daumal
edição: Rui Paiva e Sofia Gonçalves
tradução: Lurdes Júdice
desenhos: João Maria Gusmão e Pedro Paiva
design: Sofia Gonçalves

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Capa mole.
Offset
160 pp.
P.V.P: 15€

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