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“Mattia Denisse é uma figura discreta no meio artístico português mas esta publicação, e as exposições que a antecederam, demonstram a originalidade e o fulgor do trabalho deste artista.

Publicado pela Dois Dias Edições, jovem editora muito empenhada na direção discursiva dos livros que decide publicar, este Duplo Vê – o Tautólogo é o resultado de uma compilação de desenhos (o desenho é o meio de expressão eleito por Denisse), segundo a editora “Duplo vê é essencialmente um livro de desenhos e, ao mesmo tempo, o nome em extensão da letra W (inspirado no título de George Perec, W ou les souvenirs d’enfance) e também o “duplo ver” de um Deus vesgo. Duplo vê, O Tautólogo (nome dado ao demiurgo criador da tautologia) poderia ter um outro subtítulo: “Ensaio sobre o estrabismo de Deus”.”

“Guarda-livros” por João Seguro in Contemporânea

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O Grand Jeu junta homens cuja única pesquisa é uma evidência absoluta, imediata, implacável que matou neles, para sempre, qualquer outra preocupação.
O Grand Jeu junta homens que apenas têm uma Palavra a dizer, sempre a mesma, infatigavelmente, em mil linguagens diversas; a mesma Palavra proferida pelos Rishis védicos, pelos Rabis cabalistas, pelos profetas, pelos místicos, pelos grandes heréticos de todos os tempos, e pelos Poetas, os verdadeiros.
O Grand Jeu quer travar uma luta sem tréguas, sem piedade, em todos os planos, contra os que traem esta revelação em proveito do interesse egoísta, humano, individual, social: padres, eruditos, artistas.
O Grand Jeu exige uma Revolução da Realidade no sentido da sua origem, mortal para todas as organizações protectoras das formas degradadas e contraditórias do ser; é portanto o inimigo natural das Pátrias, dos Estados imperialistas, das classes dirigentes, das Religiões, das Sorbonnes, das Academias.
O Grand Jeu apenas reconhece como conhecimento, a identificação actual do sujeito com o objecto; como liberdade, a libertação por reconhecimento da necessidade universal determinando-se

Sem livre-arbítrio
Sem capricho, sem fantasia
Sem coisas bonitas
O Grand Jeu é primitivo, selvagem, antigo, realista

René Daumal
(Texto inédito. Tradução de Lurdes Júdice.)

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Durante o próximo fim-de-semana — dias 19 e 20 de fevereiro — a Dois Dias apresentará um conjunto de 18 novos cartazes na exposição your body is my body — o teu corpo é o meu corpo (a decorrer no Museu Coleção Berardo) no âmbito do programa Veículo de intimidade — hoje.

Na colecção de cartazes de Ernesto de Sousa, motivou-nos um conjunto significativo de cartazes com frente e verso, excepções à anatomia elementar de um cartaz e ao seu esquema cultural e retórico. Se a frente do cartaz é quase sempre pública, o verso é quase sempre privado; se a frente é enfática, sintética, eficaz, o verso é um lugar inusitado, ignorado, poético, onírico, disfuncional; se a frente é um «rectângulo de apelo», o seu verso contém uma mensagem silenciosa.
Partimos em busca do que está em silêncio.
No verso do cartaz da representação brasileira da Bienal de Veneza de 1982, do artista Tunga, encontrámos a expressão “DIREITO AO REVERSO”, que serviu de ignição a três conversas. Os cartazes agora apresentados são o registo e a tradução das conversas que tivemos com três cúmplices: António Brito Guterres, Joana Bagulho e Patrícia Portela.
Este é o nosso elogio breve ao verso.

(Obrigada Inês Castaño, Luísa Metello Seixas e Isabel Alves pelo convite e belíssimo programa. Os nossos agradecimentos estendem-se aos nossos três cúmplices.)