“Isto não é um diário” (por António Guerreiro)

lombadas“E Arroios passa assim a ser um bairro universal, tão universal quanto a Dublin de Joyce, a Praga de Kafka e a Nova Iorque de Bartleby. E evocamos esta célebre personagem de Melville porque ela, na sua opção pelo não-fazer, pelo modo como desarticula toda a economia que obriga, por meio do trabalho, a fazer obra, poderia ser um antepassado deste Eu sem nome e sem história que só existe sob a forma de diário — nasce e extingue-se com ele. A sua opção pelo não-fazer, isto é, pelo fazer nada (que não é exactamente a mesma coisa que nada fazer) está bem patente na maneira como frequenta a biblioteca: olhando para as lombadas dos livros, não por preguiça de ler, mas porque é activamente um não-leitor.”

“Isto não é um diário”, crítica literária ao livro Arroios de José Maria Mendes, por António Guerreiro (in Ípsilon 22.01.16)

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