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“Toda a obra literária está, a cada instante, exposta à iniciativa do leitor. A cada instante, ele pode reagir à sua leitura efectuando substituições que afectam ou o detalhe da obra ou a sua evolução.”

Paul Valéry “Advertências” in Fragmentos narrativos

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Durante o próximo fim-de-semana — dias 19 e 20 de fevereiro — a Dois Dias apresentará um conjunto de 18 novos cartazes na exposição your body is my body — o teu corpo é o meu corpo (a decorrer no Museu Coleção Berardo) no âmbito do programa Veículo de intimidade — hoje.

Na colecção de cartazes de Ernesto de Sousa, motivou-nos um conjunto significativo de cartazes com frente e verso, excepções à anatomia elementar de um cartaz e ao seu esquema cultural e retórico. Se a frente do cartaz é quase sempre pública, o verso é quase sempre privado; se a frente é enfática, sintética, eficaz, o verso é um lugar inusitado, ignorado, poético, onírico, disfuncional; se a frente é um «rectângulo de apelo», o seu verso contém uma mensagem silenciosa.
Partimos em busca do que está em silêncio.
No verso do cartaz da representação brasileira da Bienal de Veneza de 1982, do artista Tunga, encontrámos a expressão “DIREITO AO REVERSO”, que serviu de ignição a três conversas. Os cartazes agora apresentados são o registo e a tradução das conversas que tivemos com três cúmplices: António Brito Guterres, Joana Bagulho e Patrícia Portela.
Este é o nosso elogio breve ao verso.

(Obrigada Inês Castaño, Luísa Metello Seixas e Isabel Alves pelo convite e belíssimo programa. Os nossos agradecimentos estendem-se aos nossos três cúmplices.)

lombadas“E Arroios passa assim a ser um bairro universal, tão universal quanto a Dublin de Joyce, a Praga de Kafka e a Nova Iorque de Bartleby. E evocamos esta célebre personagem de Melville porque ela, na sua opção pelo não-fazer, pelo modo como desarticula toda a economia que obriga, por meio do trabalho, a fazer obra, poderia ser um antepassado deste Eu sem nome e sem história que só existe sob a forma de diário — nasce e extingue-se com ele. A sua opção pelo não-fazer, isto é, pelo fazer nada (que não é exactamente a mesma coisa que nada fazer) está bem patente na maneira como frequenta a biblioteca: olhando para as lombadas dos livros, não por preguiça de ler, mas porque é activamente um não-leitor.”

“Isto não é um diário”, crítica literária ao livro Arroios de José Maria Mendes, por António Guerreiro (in Ípsilon 22.01.16)

Ler crítica

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Um diário chega a casa, algures, num bairro de Lisboa, e põe-se a existir. Os dias sucedem-se. São anotados. Num desses dias lemos: “Eis um diário. Não é mais que isto. É procurar, em consciência, uma palavra e depois outra e depois outra.

“Arroios. Diário de um diário”
de José Maria Vieira Mendes
design: Ana Teresa Ascensão

Leitura por Paula Sá Nogueira e André e. Teodósio

Lançamento livro:
Rua das Gaivotas 6 (Rua das Gaivotas, 6 — 1200-202 Lisboa), 19h