DV_miolo2

“Mattia Denisse é uma figura discreta no meio artístico português mas esta publicação, e as exposições que a antecederam, demonstram a originalidade e o fulgor do trabalho deste artista.

Publicado pela Dois Dias Edições, jovem editora muito empenhada na direção discursiva dos livros que decide publicar, este Duplo Vê – o Tautólogo é o resultado de uma compilação de desenhos (o desenho é o meio de expressão eleito por Denisse), segundo a editora “Duplo vê é essencialmente um livro de desenhos e, ao mesmo tempo, o nome em extensão da letra W (inspirado no título de George Perec, W ou les souvenirs d’enfance) e também o “duplo ver” de um Deus vesgo. Duplo vê, O Tautólogo (nome dado ao demiurgo criador da tautologia) poderia ter um outro subtítulo: “Ensaio sobre o estrabismo de Deus”.”

“Guarda-livros” por João Seguro in Contemporânea

Ler artigo

DUPLOve

Lançamento ZDB, 18 de Junho, 18h30
Livro de desenhos de Mattia Denisse 
com traduções gráfico-literárias de Rui de Almeida Paiva e Sofia Gonçalves.

Duplo Vê — O Tautólogo é um dos tentáculos do projeto Duplo Vê, que se compõe também pelo site dupluvedupluvedupluve.com e pelas exposições apresentadas na Casa das Histórias – Museu Paula Rego (29 de setembro a 13 de novembro de 2016) e Galeria Zé dos Bois (22 de abril a 24 de junho de 2017). 
 
Duplo vê é essencialmente um livro de desenhos e, ao mesmo tempo, o nome em extensão da letra W (inspirado no título de George Perec, W ou les souvenirs d’enfance) e também o “duplo ver” de um Deus vesgo. Duplo vê, O Tautólogo (nome dado ao demiurgo criador da tautologia) poderia ter um outro subtítulo: “Ensaio sobre o estrabismo de Deus”.

renedaumal_1

O Grand Jeu junta homens cuja única pesquisa é uma evidência absoluta, imediata, implacável que matou neles, para sempre, qualquer outra preocupação.
O Grand Jeu junta homens que apenas têm uma Palavra a dizer, sempre a mesma, infatigavelmente, em mil linguagens diversas; a mesma Palavra proferida pelos Rishis védicos, pelos Rabis cabalistas, pelos profetas, pelos místicos, pelos grandes heréticos de todos os tempos, e pelos Poetas, os verdadeiros.
O Grand Jeu quer travar uma luta sem tréguas, sem piedade, em todos os planos, contra os que traem esta revelação em proveito do interesse egoísta, humano, individual, social: padres, eruditos, artistas.
O Grand Jeu exige uma Revolução da Realidade no sentido da sua origem, mortal para todas as organizações protectoras das formas degradadas e contraditórias do ser; é portanto o inimigo natural das Pátrias, dos Estados imperialistas, das classes dirigentes, das Religiões, das Sorbonnes, das Academias.
O Grand Jeu apenas reconhece como conhecimento, a identificação actual do sujeito com o objecto; como liberdade, a libertação por reconhecimento da necessidade universal determinando-se

Sem livre-arbítrio
Sem capricho, sem fantasia
Sem coisas bonitas
O Grand Jeu é primitivo, selvagem, antigo, realista

René Daumal
(Texto inédito. Tradução de Lurdes Júdice.)